ISMAEL IVO, o DEUS DO ÉBANO

O legado de

Mais um artista brasileiro que faleceu em decorrência da covid-19: Ismael Ivo foi um dos maiores bailarinos da história do nosso país. Sua trajetória incrível na arte e na luta antirracista não podem ser esquecidos.

O bailarino, que fez mais de trinta anos de carreira no exterior, faleceu nessa sexta-feira após cerca de um mês internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Pouco conhecido no Brasil, Ivo partiu para a Áustria em 1984. Lá, ele fundou o “ImPulsTanz”, um grupo de dança contemporânea que ganhou o mundo.

No início dos anos 2000, Ivo se tornou o diretor da “Bienal de Veneza”. Ele se tornou uma das maiores figuras da dança na Europa e viu sua vida se transformar: foi da periferia da ZL, na capital paulista, para o centro da dança no mundo.

Depois, Ismael Ivo desembarcou na Alemanha, onde se tornou o primeiro negro e estrangeiro à frente do Teatro Nacional Alemão, na cidade de Weimar.

Em 2017, assumiu o Balé da Cidade de São Paulo e voltou ao Brasil. Foi o o primeiro negro à frente de uma das companhias de dança mais importantes do país.

Foi ele o diretor de “Corpo Cidade”, sucesso que trabalhou a dinâmica entre metrópole e cidadão. Com ingressos a R$ 20, ele democratizou o elitizado Theatro Municipal.

Durante toda sua vida, lutou contra o racismo e a xenofobia. Mostrou que até o mais talentoso dos bailarinos será vítima dessa opressão estrutural. E lutou até o fim da vida contra o racismo.

Que a memória e trajetória de Ismael Ivo sirvam para que o Brasil se inspire e compreenda que não há possibilidade evolutiva sem a arte. Mas a arte que inclui e luta contra preconceitos históricos, como o racismo. 

INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE É NO HYPENESS